Doença crônica é frequentemente confundida com obesidade, o que dificulta o reconhecimento clínico
Apesar de o Ministério da Saúde afirmar que o SUS (Sistema Único de Saúde) oferece acompanhamento para pacientes com lipedema, mulheres —público mais afetado pela doença— relatam dificuldades para obter diagnóstico e tratamento adequados no Brasil. A ausência de protocolos clínicos padronizados, a confusão com outras condições e a falta de uma linha de cuidado estruturada fazem com que o acesso a terapias e cirurgias seja irregular, tanto na rede pública quanto na saúde suplementar, segundo especialistas ouvidos pela Folha.
De origem genética na maioria doas casos, o lipedema é caracterizado pelo acúmulo de gordura em braços e pernas, o que causa dor, inchaço e inflamação. Um estudo brasileiro publicado neste mês na revista Nature apresenta uma revisão científica que consolida o conhecimento atual sobre o lipedema. O artigo aponta que a doença é crônica, não tem cura e que as estratégias disponíveis, como dieta, fisioterapia e cirurgias, atuam apenas no controle dos sintomas, sem resolver definitivamente o problema.
A pesquisa também destaca limitações importantes das intervenções cirúrgicas. A cirurgia bariátrica, apesar de promover perda de peso, costuma não aliviar sintomas centrais do lipedema, como a dor. A lipoaspiração pode ser eficaz em casos mais avançados, mas está associada a riscos como infecções, sangramentos, trombose e, mais raramente, embolia gordurosa ou edema pulmonar.
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Foto: Reprodução/Google
Os pesquisadores alertam ainda que medicamentos amplamente utilizados para outras condições podem agravar o quadro. Diuréticos, glicocorticoides e tiazolidinedionas estão associados ao aumento da fibrose, do edema ou do ganho de peso, o que pode acelerar a progressão da doença. Um dos autores do estudo e membro do Departamento de Lipedema da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), o endocrinologista André Faria ressalta que não existem medicamentos desenvolvidos ou comprovados cientificamente para o tratamento do lipedema.A base do tratamento do lipedema envolve uma abordagem conservadora, com mudanças no estilo de vida a partir de orientação nutricional e prática regular de atividade física. Em casos mais avançados, pode haver indicação cirúrgica, como lipoaspiração.
Quando há lipedema associado à obesidade e a paciente não responde apenas a dieta e exercício, pode haver indicação de medicamentos para perda de peso, como Mounjaro e Ozempic. Segundo o especialista, essas drogas não tratam o lipedema em si, mas podem ajudar a aliviar parte dos sintomas ao reduzir a gordura corporal total.
Faria destaca que, no SUS, o acesso a esse tipo de abordagem é limitado e restrito a poucos centros de referência em obesidade, como hospitais universitários. Na rede privada, afirma que os planos de saúde não costumam cobrir medicamentos para obesidade nem procedimentos cirúrgicos específicos para o lipedema.
Fonte: com informações Folha de São Paulo
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