O Portal Mulher Amazônica e o Ela Podcast estiveram presentes neste encontro inspirador, registrando cada fala que ecoou como manifesto de transformação social.
Na Expo Favela Amazonas 2025, um dos momentos mais marcantes foi o painel “Mulheres, Atuação e Pluralidade”, que reuniu grandes nomes femininos da Amazônia para compartilhar histórias reais de superação, resistência e potência. O Portal Mulher Amazônica e o Ela Podcast estiveram presentes neste encontro inspirador, registrando cada fala que ecoou como manifesto de transformação social.
Compondo a roda de conversa, a ativista Daniela Veiga, a idealizadora do Projeto Gloriosas Tatiana Moreira, a advogada criminalista Amanda Pinheiro e a designer de sobrancelhas Fabiana Andrade abriram seus corações ao público. Cada uma delas revelou as dores e os desafios enfrentados em seus caminhos — mas, sobretudo, mostraram como a força, a autenticidade e a paixão foram combustíveis para suas conquistas.
Daniela Veiga emocionou ao narrar sua trajetória marcada pela vivência em comunidades periféricas e pelo compromisso com o empreendedorismo social. “Às vezes, as pessoas querem ver o bônus, mas não querem ver os ônus. Eu sou uma mulher criada em comunidade. Mudei de vida depois de muito lutar, trabalhei duro para conquistar minhas coisas. E sabe o que descobri? Que o meu dom é a conexão, é a comunicação social. Minha missão é dar visibilidade para quem é invisível. Porque um dia, eu também fui”, declarou a ativista sob aplausos.
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Ativista Daniele Veiga
Entre elas, Tatiana Moreira, idealizadora do Projeto Gloriosas, trouxe à tona a força da educação como ferramenta de acolhimento e transformação social, além do papel essencial que as mulheres desempenham ao estender a mão para outras mulheres. “A escola tinha um grêmio estudantil. E aí, quando a diretora falou para a gente, ‘olha, quem for do grêmio, fica na escola o dia todo’, achei que essa foi a minha salvação.” — assim Tatiana inicia sua fala, revelando o quanto a permanência na escola foi crucial para sua proteção emocional e social.
Tatiana relembra os impactos de um passado doloroso, com dificuldades de aprendizagem e sequelas emocionais, mostrando que seu caminho na educação não foi simples — mas profundamente transformador:
“Eu passei por isso. Tive dificuldade de aprendizagem. Hoje, eu penso assim: nossa, passei por isso e hoje escrevo. Isso é extraordinário para mim.” Foi no ensino médio que ela conheceu uma mulher que marcaria sua história: a professora Rita Fonseca Veloso, hoje nome de uma escola municipal em Manaus. “Ela observou as minhas dificuldades e me ofereceu algo que eu não tinha em casa: a leitura. Ela acreditou em mim.” Tatiana conclui sua fala com um compromisso que transcende a sala de aula:
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Tatiana Moreira – idealizadora Gloriosas
“Quando fui para a sala de aula, levei isso comigo: eu tenho que acreditar no meu aluno, independente do que ele me mostra.”O Projeto Gloriosas, idealizado por Tatiana, nasceu desse desejo de acolher e apoiar outras mulheres. Hoje, o projeto atua fortalecendo a autoestima, promovendo a educação e ampliando as oportunidades para mulheres em situação de vulnerabilidade.
Entre essas mulheres também estava Amanda Pinheiro, advogada criminalista, feminista e ativista social, que trouxe ao público uma fala visceral sobre pertencimento, justiça e transformação através da cultura e do Direito.
“Eu sou Amanda Pinheiro, sou advogada feminista, sou amazonense e também sou de comunidade, ali na vizinhança do Santo Antônio.” — foi assim, de forma direta e afirmativa, que Amanda iniciou sua participação. Com raízes fincadas entre os bairros de Santo Antônio, São Jorge, São Raimundo e Compensa, ela falou com orgulho sobre sua trajetória marcada por resistência e propósito. “Sou de uma família de mulheres fortes, e eu acho importante mencionar isso porque saio de um espaço da atuação feminista, da comunidade, da força da mulher.” Amanda destacou que seu incômodo com as injustiças sociais começou ainda na infância:
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Amanda Pinheiro – advogada criminalista
“Desde criança eu não aceitava ver as diferenças. Questionava: por que um tem e o outro não tem? Por que um está de sapatinho e o outro descalço? Isso me incomodava.” Esse sentimento se transformou em ação durante a adolescência, quando ela começou a atuar com crianças da comunidade da Vila da Prata. Ali, uniu sua formação em dança ao desejo de criar oportunidades para outras meninas e meninos:
“Passei a ministrar aulas de dança para as crianças da comunidade. A cultura era minha forma de oferecer algo diferente, de tirar as crianças do ócio, da rua, da influência do tráfico.” Amanda também falou sobre como essa vivência moldou sua atuação profissional no Direito. Ao decidir ser advogada, escolheu trilhar o caminho da justiça criminal com olhar social e feminista:
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Fabiana Andrade – designer de sobrancelhas
“Eu não escolhi o Direito por status. Eu escolhi porque ele é uma ferramenta para garantir dignidade. Para que meninas como eu, da periferia, saibam que podem, sim, ocupar os espaços.”Amanda hoje é referência na luta pelos direitos das mulheres, atuando principalmente na defesa de vítimas de violência e na promoção da equidade de gênero dentro e fora do sistema jurídico. Sua história, como a de tantas outras mulheres da periferia amazonense, reafirma que representatividade não é apenas uma pauta — é uma urgência.
Fabiana Andrade, designer de sobrancelhas e mulher periférica, trouxe à tona uma história marcada por dores profundas, mas também por recomeços — desses que nascem da fé, da coragem e da decisão de não desistir de si mesma.
Com voz firme, Fabiana se apresentou dizendo:
“Hoje eu vou fazer o certo, não o errado, porque eu fui uma pessoa inconsequente.”
Criada no lado Leste de Manaus, ela compartilhou como a juventude foi atravessada por escolhas difíceis, pela pressão social e por uma busca por afeto que a levou à maternidade precoce, à evasão escolar e a conflitos familiares:
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Fotos: Divulgação/Portal Mulher Amazônica
“Eu só queria ir para festas. Eu não queria estudar. Fiquei grávida cedo. Mas, de repente, percebi que eu podia ser. Que eu podia ter ido mais longe.” A perda de amizades, a briga com o pai e o sentimento de fracasso diante do futuro a levaram a um ponto crítico: Fabiana relatou sua tentativa de suicídio, impulsionada por uma profunda depressão e sensação de inutilidade:
“Eu disse: eu não quero essa vida. Eu sou praticamente nada. E naquele dia eu decidi tirar a minha própria vida.”
Ela deixou uma carta no Instagram, pegou um ônibus com apenas R$ 5 no bolso, mas “tudo começou a dar errado”. Pegou o ônibus errado. Errou o ponto. Chorava sem parar. E foi exatamente nesse erro que encontrou o começo de tudo. Hoje, como designer de sobrancelhas, Fabiana não apenas reconstruiu sua autoestima — mas também ajuda outras mulheres a se verem belas, fortes e capazes:
“Eu encontrei um caminho. E hoje, toda mulher que senta na minha cadeira, eu não entrego só beleza. Eu entrego uma palavra de força. Porque eu sei o que é ser invisível. Mas eu também sei o que é ser levantada.” O painel “Mulheres, Atuação e Pluralidade” revelou não apenas trajetórias pessoais — mas o poder transformador que surge quando mulheres compartilham vivências reais, se acolhem e se fortalecem mutuamente.
Daniela Veiga, Tatiana Moreira, Amanda Pinheiro e Fabiana Andrade são quatro rostos de uma Amazônia feminina que resiste, cria e transforma. Que aponta caminhos onde antes só havia escuridão. Que rompe o silêncio e grita: “Eu posso. Eu sou. Eu transformo.” A Expo Favela Amazonas 2025 se torna, assim, não apenas um palco de negócios e inovação social — mas um espaço onde a vida real pulsa, e onde as mulheres continuam sendo protagonistas da sua própria história.
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