15 de Setembro de 2026

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Manaus - 30/08/2026

Motos são 68% dos acidentes e expõem caos em Manaus

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Foto: ReproduçãoGoogle

Em apenas um fim de semana, acidentes de trânsito provocaram 180 atendimentos; crescimento da frota, condutores sem habilitação e fiscalização insuficiente ampliam o risco nas ruas

Manaus registrou 180 atendimentos relacionados a acidentes de trânsito no quarto fim de semana de agosto (22 e 23). As motocicletas estiveram envolvidas em 68% dos casos, aproximadamente sete de cada dez ocorrências. O balanço não descreve uma fatalidade eventual. Ele expõe o resultado previsível de uma cidade na qual a frota de motos cresce rapidamente, o transporte por aplicativo avança, a fiscalização não acompanha essa expansão e milhares de condutores circulam sem a formação mínima exigida pela legislação. No fim dessa combinação estão as vidas perdidas, os feridos, as famílias abaladas e uma conta crescente para os serviços públicos de saúde.

 

Hospitais recebem a conta do trânsito

 

Os 180 atendimentos concentrados em apenas um fim de semana significam pressão sobre ambulâncias, unidades de emergência, equipes médicas, leitos, cirurgias e tratamentos de reabilitação. Embora nem toda ocorrência resulte em internação grave, o volume mostra que os acidentes deixaram de ser fatos isolados. Eles compõem uma emergência urbana repetida semanalmente, enquanto as autoridades parecem agir apenas por meio de campanhas sazonais e operações pontuais. O dado de 68% também coloca as motocicletas no centro do problema. Isso não significa responsabilizar indistintamente todos os trabalhadores sobre duas rodas, mas reconhecer que a expansão desse modal ocorreu sem uma política pública proporcional de qualificação, fiscalização e proteção.

 

Frota cresceu; controle não acompanhou

 

Dados da Secretaria Nacional de Trânsito mostram que o Amazonas já possuía, no começo de 2026, cerca de 450 mil motocicletas. Em duas décadas, a participação delas na frota estadual passou de 19% para mais de 35%. Manaus, sozinha, já reunia mais de 339 mil motos, conforme número anteriormente informado pela prefeitura. A motocicleta tornou-se alternativa ao transporte coletivo deficiente, aos congestionamentos e ao desemprego. Também ganhou espaço como ferramenta de entrega e transporte de passageiros por aplicativos. O problema é que o crescimento econômico e social dessa atividade não foi acompanhado pelo poder público. Faltam fiscalização permanente, regulamentação adequada, formação dos condutores, controle das plataformas e planejamento viário para reduzir conflitos entre motos, carros, ônibus, caminhões, ciclistas e pedestres. A administração pública permitiu que o serviço se expandisse antes de construir uma estrutura capaz de fiscalizá-lo.

 

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Mais da metade sem habilitação

 

 

O BNC Amazonas já havia mostrado, com base em levantamento da Senatran, que mais da metade dos proprietários de motos em Manaus não tinha habilitação na categoria A. O dado exige uma ressalva: proprietário e condutor não são necessariamente a mesma pessoa. Ainda assim, a diferença entre a quantidade de veículos registrados e a de habilitados revela uma zona de risco que não pode ser ignorada. Dirigir sem habilitação não representa apenas uma irregularidade documental. Significa colocar nas ruas pessoas que podem não ter passado por aulas de legislação, direção defensiva, primeiros socorros e avaliação prática. Sem fiscalização suficiente, a irregularidade se converte em sensação de impunidade.

 

Prejuízo fica com quem é atingido

 

Além de mortes e ferimentos, o caos produz um prejuízo cotidiano pouco contabilizado pelas estatísticas oficiais. São frequentes os relatos de motociclistas que trafegam entre os veículos, atingem retrovisores, portas ou para-lamas e deixam o local antes que o proprietário consiga identificar a placa. O motorista fica com o dano, enquanto o responsável desaparece entre os demais veículos. A fuga também evidencia a necessidade de motos corretamente emplacadas, sistemas de monitoramento, fiscalização nas vias e canais eficientes para registrar e apurar essas ocorrências. A agilidade da motocicleta não pode funcionar como salvo-conduto para causar dano e fugir.

 

Aplicativos também precisam responder

 

Fotos: ReproduçãoGoogle

 

As plataformas não podem aparecer apenas para intermediar corridas, receber percentuais e ampliar o número de motociclistas cadastrados. Elas precisam ser chamadas a informar quantos condutores operam em Manaus, quais documentos são exigidos, com que frequência ocorre a validação da CNH e do licenciamento, quantos trabalhadores foram bloqueados por irregularidades e que mecanismos oferecem às vítimas de acidentes ou danos materiais. A Prefeitura de Manaus, por sua vez, deve esclarecer em que estágio se encontra a regulamentação do transporte de passageiros por motocicletas. O serviço começou a operar na capital em 2021 e, anos depois, a discussão ainda se arrasta. Regulamentar não significa perseguir o trabalhador. Significa estabelecer responsabilidades para os condutores, as plataformas e o município, protegendo também passageiros e terceiros.

 

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Operação esporádica não resolve

 

Em maio deste ano, uma operação integrada realizou 353 abordagens, aplicou 95 autuações e apreendeu dez motocicletas com irregularidades, incluindo veículos sem placa ou com identificação adulterada, segundo a prefeitura. Os próprios resultados demonstram que, quando existe fiscalização, as irregularidades aparecem. A questão é saber por que esse controle não ocorre diariamente e de maneira distribuída pelas zonas da cidade. O Instituto Municipal de Mobilidade Urbana, o Detran-AM, o Batalhão de Policiamento de Trânsito e a Guarda Municipal precisam apresentar um plano permanente, com metas e resultados públicos, não somente blitze ocasionais ou campanhas em datas específicas.

 

Fonte: com informações BNC Amazonas 

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