12 de Agosto de 2026

NOTÍCIAS
Política - 16/07/2026

Jornal Britânico diz que Trump transforma autonomia do Brasil em 'delito comercial' e favorece Bolsonarismo com tarifas

Compartilhar:
Foto: Reprodução/Google

Em editorial, The Guardian afirma que pressão dos EUA sobre o Brasil ultrapassa questões econômicas e ataca soberania do país

O jornal britânico The Guardian publicou um editorial com duras críticas à política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao Brasil. No texto, o veículo afirma que as ameaças de novas tarifas comerciais e as investigações conduzidas pela Casa Branca representam uma tentativa de pressionar a autonomia brasileira e transformar temas internos do país em disputas comerciais.

 

A manifestação ocorre às vésperas da decisão do governo estadunidense sobre a possível adoção de novas tarifas contra produtos brasileiros. A expectativa é de que a Casa Branca anuncie ainda na quarta-feira (15) se aplicará medidas adicionais contra o Brasil, dentro de uma investigação que questiona práticas comerciais brasileiras consideradas injustas pelos Estados Unidos.

 

“A ameaça de tarifas de Donald Trump enquadra os esforços do Brasil para proteger sua democracia como uma prática comercial desleal — e confere ao bolsonarismo um palco em Washington”, afirma o editorial. O jornal sustenta que a divergência entre os dois governos está relacionada, sobretudo, ao conceito de soberania nacional e ao papel do Estado na regulação do ambiente digital.

 

Veja também 

 

Governo Lula não espera recuo de Trump em tarifaço contra o Brasil

Dono do PL de Bolsonaro deu emenda de R$ 280 mil para show em SP

 

“Lula quer que o Brasil tenha capacidade de fiscalizar a desinformação antidemocrática [dentro do país]. Trump acredita que os EUA deveriam ter jurisdição sobre o espaço informacional do país”, diz o editorial. Segundo a publicação, o governo dos EUA rejeita a posição adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa da autonomia brasileira para regulamentar plataformas digitais e combater conteúdos considerados antidemocráticos.

 

STF e redes sociais entram no debate

 

 


O editorial também relembra decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo a responsabilização de plataformas digitais. Segundo o jornal britânico, em junho deste ano o STF respondeu ao avanço da desinformação que teria contribuído para os ataques às instituições brasileiras após as eleições presidenciais.

 

O texto destaca que a Corte passou a admitir a responsabilização das plataformas por determinados conteúdos publicados por usuários, obrigando empresas como X, de Elon Musk, e Meta, de Mark Zuckerberg, a remover discursos de ódio e materiais considerados antidemocráticos. “Um mês depois, Donald Trump propôs uma tarifa de 25% sobre as importações brasileiras, queixando-se de que os juízes haviam obrigado empresas de tecnologia dos EUA a retirar do ar material ‘político’”, afirma o jornal britânico.

 

Pix é tratado como questão de soberania

 

 


Outro ponto abordado pelo editorial é o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, que também passou a integrar as críticas feitas por autoridades dos EUA. Para o Guardian, o debate em torno do Pix vai além da concorrência entre meios de pagamento e envolve a independência tecnológica e financeira do Brasil. “Outra questão de soberania diz respeito a quem controla a infraestrutura financeira do Brasil e se é possível existir, na América Latina, uma infraestrutura pública de pagamentos bem-sucedida que não esteja sob controle estadunidense”, escreve o jornal.

 

O editorial destaca ainda que o modelo brasileiro reduz a dependência de empresas estrangeiras do setor financeiro. “Assim como a Índia, o Brasil construiu uma infraestrutura pública digital [o Pix] projetada para reduzir a dependência de redes de pagamento controladas por estrangeiros e proteger seu sistema doméstico de pagamentos contra pressões ou sanções externas. Na prática, o sistema contorna as redes de cartão nos moldes da Visa e da Mastercard, ameaçando os lucros dessas empresas.”

 

Jornal analisa cenário político brasileiro

 

 


O texto também dedica espaço ao cenário eleitoral brasileiro e menciona pesquisas recentes que colocam o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre os principais nomes para a disputa presidencial. Ao comentar o parlamentar, o jornal afirma: “[Flávio] Bolsonaro é menos carismático que seu pai, mas está baseado no mesmo antiesquerdismo simplista, nas mesmas políticas punitivas de ‘lei e ordem’ e nas mesmas guerras culturais de extrema-direita”, afirma o jornal.

 

Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no Facebook, Twitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.
 
 
 

O Guardian também classificou como “extremamente audacioso” o pedido feito por Flávio Bolsonaro para que Donald Trump evitasse a aplicação de tarifas contra o Brasil antes das eleições presidenciais. Em relação ao presidente Lula, o editorial apresenta um histórico de sua trajetória política e destaca seus governos. “De operário a líder sindical e fundador de partido, Lula fez da redistribuição a linguagem da democracia brasileira. A pobreza extrema caiu de 30 milhões em 2002 para menos de 7 milhões atualmente. Ele governou de 2003 a 2011. A política brasileira é polarizada: Lula só retornou em 2023 depois que juízes anularam condenações por corrupção.”

 

Soberania é o centro da crítica

 

 

Fotos: Reprodução/Google


Na conclusão do editorial, o The Guardian sustenta que o foco da disputa entre Brasil e Estados Unidos não está nas questões comerciais apresentadas oficialmente pelo governo estadunidense, mas na capacidade do país de desenvolver políticas públicas independentes. “A verdadeira infração [do Brasil] não é o protecionismo, mas a autonomia”, escreve o Guardian. 

 

Fonte: com informações Correio Braziliense

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.