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Especial Mulher - 13/08/2025

Inge Lehmann: conheça a trajetória da mulher que mudou nossa visão sobre o coração da Terra

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Foto: Reprodução/Google/Montagem Portal Mulher Amazonica

Mais que uma cientista, Lehmann representa a prova de que a busca pela verdade científica pode romper as barreiras impostas pelo preconceito e pela invisibilidade.

Nascida em 13 de maio de 1888, em Copenhague, Dinamarca, Inge Lehmann é um dos nomes mais importantes — e por muito tempo esquecidos — da ciência. Matemática e sismóloga, ela foi a responsável por uma das descobertas mais significativas da geofísica moderna: a existência de um núcleo interno sólido dentro da Terra, cercado por um núcleo externo líquido.

 

Em uma época em que a presença feminina na ciência era quase nula, Lehmann teve a sorte de crescer em um lar que valorizava a educação de meninas e meninos igualmente. Estudou na Fællesskolen, uma escola mista e inovadora para a época, onde foi incentivada a explorar todas as áreas do conhecimento.

 

Desde cedo, destacou-se em matemática, optando por seguir carreira acadêmica nessa área — uma escolha rara para as mulheres de sua geração. Mesmo com um intelecto brilhante e sólida formação universitária, Inge enfrentou inúmeras barreiras para se estabelecer na ciência. Em um campo dominado por homens, seu trabalho era constantemente subestimado ou atribuído a colegas masculinos.

 

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Ela não se deixava intimidar: sua arma era a precisão científica. Discreta, perseverante e movida pelo desejo de compreender a natureza, Lehmann se dedicou à sismologia, o estudo das ondas sísmicas geradas por terremotos.

 

A descoberta que mudou a geociência

 

 

 

Nos anos 1930, a comunidade científica acreditava que o núcleo da Terra era completamente líquido. Mas ao analisar registros de ondas sísmicas, Lehmann percebeu um padrão curioso: algumas ondas P (primárias) surgiam em regiões onde não deveriam existir, segundo os modelos da época.

 

Essa anomalia indicava que algo dentro da Terra estava refletindo ou refratando as ondas de maneira diferente. Em 1936, publicou um artigo no qual propôs a existência de um núcleo interno sólido, envolto por um núcleo externo líquido — um modelo que explicava perfeitamente as observações. Na época, sua hipótese foi recebida com ceticismo, mas anos depois, com o avanço das técnicas de sismologia e instrumentação, foi plenamente confirmada. Hoje, o “núcleo interno de Lehmann” é um conceito fundamental para entender a dinâmica da Terra, desde o campo magnético até a atividade sísmica.

 

Apesar da importância monumental de sua descoberta, Lehmann recebeu pouco reconhecimento durante grande parte de sua vida. Trabalhou como chefe do Departamento de Sismologia do Serviço Geodésico Dinamarquês e colaborou com instituições nos Estados Unidos, mas raramente foi celebrada na mesma medida que colegas homens.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Apenas nas décadas seguintes começou a receber prêmios e honrarias, como a Medalha William Bowie da American Geophysical Union (1971) e a Medalha de Ouro da Sociedade Real de Ciências da Dinamarca. Inge Lehmann trabalhou ativamente até os anos 70, deixando como legado não apenas a mudança radical na compreensão da estrutura terrestre, mas também um exemplo de coragem intelectual, integridade e resiliência.

 
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Faleceu em 21 de fevereiro de 1993, aos 104 anos, na sua cidade natal. Hoje, seu nome batiza prêmios, crateras na Lua e até um asteróide (5632 Ingelehmann), perpetuando sua memória. Mais que uma cientista, Lehmann representa a prova de que a busca pela verdade científica pode romper as barreiras impostas pelo preconceito e pela invisibilidade.
 

 

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