16 de Janeiro de 2026

NOTÍCIAS
Comportamento - 05/01/2026

Há 18 mil anos, humanos na Europa consumiam os cérebros dos seus inimigos, revela estudo científico

Compartilhar:
Foto: Reprodução/Google

Essas descobertas reforçam a importância da arqueologia e da antropologia evolutiva na reconstrução da história humana, mostrando que práticas hoje consideradas tabu já fizeram parte das estratégias de sobrevivência e das relações de poder entre grupos no

Descobertas arqueológicas feitas na Gruta Maszycka, localizada a cerca de 20 quilómetros de Cracóvia, na atual Polónia, indicam que o canibalismo fazia parte do comportamento humano na Europa há aproximadamente 18 mil anos. A investigação, conduzida por uma equipa internacional de arqueólogos e antropólogos, revela evidências claras de consumo intencional de tecidos humanos, incluindo cérebros e medula óssea.

 

O estudo analisou 63 conjuntos de fragmentos de ossos humanos, entre crânios, braços e pernas. Os resultados mostram que 68% dos vestígios apresentam marcas inequívocas de cortes e fraturas deliberadas, compatíveis com práticas de desmembramento e extração de nutrientes. Essas marcas não correspondem a processos naturais nem à ação de animais carnívoros, mas sim à intervenção direta de outros humanos.

 

Veja também 

 

Como a Ciência do Sentir pode transformar 2026

Veja 12 livros nacionais para adicionar nas metas de leitura de 2026

Evidências microscópicas e análise forense

 

 

 

Utilizando microscopia avançada, os investigadores conseguiram diferenciar com precisão as marcas causadas por erosão ambiental ou por dentes de predadores daquelas produzidas por ferramentas de pedra. Segundo Francesc Marginedas, antropólogo evolutivo do Institut Català de Paleoecologia Humana i Evolució Social (IPHES-CERCA) e primeiro autor do artigo publicado na revista Scientific Reports, a distribuição e a frequência das marcas “demonstram claramente uma exploração nutricional dos corpos humanos”.

 

As análises laboratoriais indicam que os cadáveres eram processados pouco tempo após a morte. Nos crânios, os cortes sugerem a remoção intencional do cérebro, órgão altamente nutritivo e rico em gorduras. Da mesma forma, os ossos longos apresentam fraturas típicas da extração da medula óssea, uma prática comum também no processamento de animais caçados.

 

Canibalismo ligado à violência entre grupos

 

 

 

Os cientistas acreditam que os indivíduos consumidos não pertenciam ao mesmo grupo, mas eram inimigos derrotados em confrontos violentos. A antropóloga Palmira Saladié, coautora do estudo, explica que o canibalismo é um comportamento documentado em diferentes fases da evolução humana. Em contextos pré-históricos, pode estar associado à sobrevivência, práticas simbólicas ou dinâmicas de violência intergrupal.

 

O período em que esses vestígios datam coincide com o fim do Último Máximo Glacial, cerca de 20 mil anos atrás. Com a melhoria gradual do clima, houve um aumento da população humana na Europa, o que intensificou a competição por territórios e recursos naturais. Esse cenário pode ter levado ao crescimento de conflitos entre grupos, resultando em práticas extremas como o canibalismo.

 

Um comportamento mais comum do que se imaginava

 

A Gruta Maszycka não é um caso isolado. Vestígios semelhantes foram identificados em pelo menos outros cinco sítios arqueológicos europeus datados do mesmo período. Para os autores, isso sugere que o canibalismo pode ter sido uma prática cultural relativamente disseminada entre alguns grupos humanos do Paleolítico Superior.

 

Outro dado relevante é que os ossos humanos foram encontrados misturados com restos de animais caçados, o que reforça a interpretação de que não se tratava de rituais funerários ou práticas simbólicas de sepultamento, mas sim de consumo alimentar direto.

 

Reescrevendo a história humana

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

As conclusões do estudo contribuem para uma compreensão mais realista — e menos idealizada — das sociedades humanas antigas. Longe de serem exceções isoladas, comportamentos como o canibalismo parecem ter surgido como respostas adaptativas a contextos extremos de escassez, conflito e sobrevivência.

 
Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no FacebookTwitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.
 

Essas descobertas reforçam a importância da arqueologia e da antropologia evolutiva na reconstrução da história humana, mostrando que práticas hoje consideradas tabu já fizeram parte das estratégias de sobrevivência e das relações de poder entre grupos no passado distante.


Fontes:
Scientific Reports – Nature Portfolio
https://www.nature.com/scientificreports
Institut Català de Paleoecologia Humana i Evolució Social (IPHES-CERCA)
https://www.iphes.cat
Smithsonian National Museum of Natural History – Human Evolution
https://humanorigins.si.edu
 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.