Presidente da corte rompe silêncio após mensagens atribuídas a Moraes; revelação de encontro reservado entre André Mendonça e Daniel Vorcaro amplia cobrança por transparência
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, reconheceu nesta quarta-feira (2 de setembro) a “especial gravidade” da crise provocada pelas revelações sobre as relações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes e anunciou que adotará as “medidas cabíveis”.
A manifestação ocorreu na primeira sessão do plenário depois da divulgação de mensagens que indicam uma interlocução entre Vorcaro e o ministro Moraes. No mesmo dia, porém, o ICL Notícias revelou que André Mendonça, relator do caso banco Master e responsável por retirar o sigilo do relatório da Polícia Federal, também recebeu o empresário fora da agenda oficial.
A fala de Fachin rompe o silêncio institucional do Supremo e altera a dimensão do caso. A crise já não pode ser apresentada apenas como um confronto entre Moraes e Mendonça ou como uma disputa do relator com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Ao advertir que a autoridade de um cargo público não pode ser confundida com privilégio, Fachin sinalizou que as revelações exigem alguma resposta da presidência do STF. “Cabe à presidência do Supremo Tribunal Federal preservar a integridade da instituição”. O presidente da corte não antecipou quais providências pretende adotar. Afirmou que os fatos serão examinados com serenidade e firmeza, dentro dos limites constitucionais.
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Sessão expõe contraste
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Embora a crise tenha dominado os bastidores de Brasília, Moraes participou normalmente da sessão e não se manifestou sobre o conteúdo das mensagens. Mendonça também manteve uma postura discreta no plenário na tarde desta quarta-feira. O ambiente protocolar contrastou com a gravidade reconhecida por Fachin. Fora do plenário, as revelações provocaram reações no Congresso, na PGR, na direção da Polícia Federal e dentro do próprio Supremo. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que o então dono do banco Master buscou Moraes para falar sobre o avanço das investigações contra a instituição financeira.
Em um dos registros, Vorcaro teria perguntado ao ministro se deveria deixar o país diante do risco de prisão. Em outro, pediu que Moraes reforçasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, uma orientação para evitar medidas contra o banco. O material também registra pedidos de encontros e referências a reuniões entre os dois. Entretanto, parte das conversas teria ocorrido por meio de mensagens de visualização única, e o conteúdo integral das respostas atribuídas a Moraes não foi recuperado. Até agora, portanto, os registros mostram as solicitações feitas por Vorcaro, mas não comprovam que todos os pedidos tenham sido atendidos ou que Moraes tenha praticado alguma interferência ilegal.
Mendonça também foi a Vorcaro
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A posição de André Mendonça no episódio também se tornou mais complexa depois de o ICL Notícias revelar, em matéria exclusiva do jornalista Paulo Motoryn, que o ministro manteve uma reunião secreta com Vorcaro em 14 de março de 2025. O encontro ocorreu no instituto Iter, em São Paulo, entidade fundada por Mendonça, e não constava inicialmente da agenda pública do magistrado. O ICL informou que o cruzamento de horários e registros do celular de Vorcaro indica que o empresário permaneceu aproximadamente duas horas no endereço. A aproximação teria sido articulada durante semanas pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).
Em uma das mensagens divulgadas, Soares enviou a Vorcaro uma fotografia ao lado de Mendonça e afirmou que estava “trabalhando” para o banqueiro. Em áudios, disse ter informado o ministro sobre os problemas enfrentados pelo banco Master no Banco Central e afirmou que Mendonça queria receber o empresário. O conteúdo não esclarece qual providência Vorcaro pretendia obter nem comprova que Mendonça tenha interferido no Banco Central, prometido ajuda ou adotado alguma decisão em benefício do Master.
André Mendonça confirma reunião
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Fotos: ReproduçãoGoogle
Depois da publicação do ICL, Mendonça confirmou que recebeu Vorcaro uma vez, em março de 2025. Segundo o ministro, a iniciativa partiu do empresário e a conversa tratou de créditos de precatórios de interesse do banco Master. O gabinete informou que Mendonça “se limitou a ouvi-lo”, recebeu memoriais escritos e preservou os documentos em seus registros. Acrescentou que o ministro posteriormente votou contra a posição defendida pelo empresário, mantendo o entendimento que já adotava em processos semelhantes. A confirmação, entretanto, coloca Mendonça sob cobrança para esclarecer as circunstâncias, a duração e a ausência do compromisso em sua agenda pública. O encontro ocorreu antes de ele assumir, em fevereiro de 2026, a relatoria dos procedimentos relacionados ao banco Master no Supremo. As situações envolvendo Moraes e Mendonça não são juridicamente idênticas.
Os indícios atribuídos a cada ministro têm natureza e intensidade diferentes. A reunião confirmada por Mendonça tampouco elimina ou responde às suspeitas levantadas pelas mensagens relacionadas a Moraes. A revelação, porém, impede que o caso seja reduzido à atuação de um ministro sob suspeita, fiscalizada por outro completamente externo à rede de contatos construída por Vorcaro. Portanto, por fora, o plenário manteve sua rotina. Por dentro, Fachin reconheceu que o STF enfrenta um momento de gravidade que não poderá ser resolvido apenas pelo silêncio.
Fonte: com informações BNC Amazonas
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