22 de Julho de 2026

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Sexo - 04/07/2026

Estresse, telas, redes sociais e a rotina: as razões pelas quais cada vez menos pessoas fazem sexo, segundo especialista

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Foto: Divulgação

Sexólogo afirma que falar em uma crise sexual generalizada é prematuro, mesmo pesquisas indicando declínio na frequência das relações sexuais

A ideia de que os casais estão fazendo menos sexo ganhou força nos últimos anos. No entanto, para o sexólogo José Antonio Barbosa, da Clínica de Saúde Masculina do Boston Medical Center, falar em uma crise sexual generalizada é prematuro. Embora pesquisas internacionais mostrem um declínio na frequência das relações sexuais, ele alerta que esses resultados não podem ser extrapolados automaticamente para todos os países, já que cada sociedade vivencia a sexualidade de maneira diferente.

 

Na entrevista a seguir, o especialista explica que a verdadeira mudança reside não apenas no número de encontros sexuais, mas também na forma como as pessoas vivenciam o desejo, a intimidade e a conexão emocional. Fatores como o estresse crônico, a fadiga, a hiperconectividade, o uso constante do celular, as redes sociais e as novas dinâmicas de convivência estão alterando a maneira como os casais constroem suas vidas íntimas. Barbosa também analisa o impacto da pornografia, da rotina e das expectativas irreais sobre o desempenho sexual. Além disso, ela esclarece por que um relacionamento pode passar por longos períodos sem sexo sem necessariamente indicar uma crise emocional, desde que a situação não cause sofrimento ou distanciamento entre os parceiros.

 

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Será que os casais estão realmente fazendo menos sexo, ou essa é uma percepção exagerada?

 

 

Devemos ser muito cautelosos antes de afirmar isso como uma verdade geral. Estudos em alguns países mostram uma diminuição na frequência sexual. Por exemplo, nos Estados Unidos, uma pesquisa nacional sobre o crescimento familiar indica que, em 1990, 55% dos adultos entre 18 e 64 anos relataram ter relações sexuais pelo menos uma vez por semana, enquanto em 2024 esse número caiu para 37%. No entanto, esses dados não nos permitem concluir que a mesma situação ocorra na Colômbia ou em qualquer outro contexto. Cada país possui dinâmicas culturais, sociais e familiares diferentes.

 

Além disso, a sexualidade não pode ser medida apenas pela frequência das relações sexuais. Ela também engloba o desejo, a intimidade, a conexão emocional e as diversas maneiras pelas quais as pessoas vivenciam seus relacionamentos. O que parece claro é que a sexualidade está mudando. A hiperconectividade, o uso constante de celulares, as redes sociais, a fadiga, o estresse e o ritmo acelerado da vida influenciam a forma como as pessoas vivenciam sua sexualidade e se relacionam com seus parceiros. Portanto, em vez de dizer que os casais estão fazendo menos sexo, seria mais preciso dizer que a sexualidade está evoluindo e que ainda são necessários mais dados para entender como esse processo se desenrola em cada sociedade.

 

Com que frequência um relacionamento passa meses sem intimidade?

 

 

Durante muito tempo, acreditou-se que um relacionamento bem-sucedido exigia uma certa frequência de relações sexuais. No entanto, não existe uma fórmula universal. Cada casal vivencia a sua sexualidade de forma diferente. Alguns casais têm uma vida sexual muito ativa, enquanto outros são menos frequentes, mas ainda mantêm uma boa conexão e se sentem satisfeitos. Tudo depende do equilíbrio do desejo entre os dois parceiros. Existem alguns dados internacionais que ajudam a compreender esse fenômeno. Nos Estados Unidos, cerca de 7% dos casados ??relataram não ter feito sexo no último ano. Entre 15% e 20% dos casais estão no que alguns estudos chamam de relacionamentos "sem sexo", ou seja, com pouca ou nenhuma atividade sexual. Além disso, cerca de 25% dos casais fazem sexo uma vez por mês ou menos.

 

No Reino Unido, foram relatados índices próximos a 29% de casais nessa mesma situação, e no Japão, alguns estudos indicam que até 48% dos casais casados ??não tiveram relações sexuais no último mês. O mais importante é entender que a ausência de sexo nem sempre significa ausência de amor ou conexão. Torna-se um problema quando gera desconforto, distanciamento, culpa, ressentimento ou uma diferença significativa entre o desejo de uma pessoa e o da outra. As causas podem ser muito diversas: maternidade ou paternidade, estresse crônico, problemas financeiros, exaustão, depressão ou sobrecarga sensorial constante. Em vez de perguntar se é normal passar meses sem intimidade, a questão deveria ser como o casal vivencia essa situação e se essa dinâmica lhes causa sofrimento.

 

A coabitação prolongada reduz inevitavelmente o desejo?

 

 

Não necessariamente. Relacionamentos românticos podem evoluir de muitas maneiras e continuar sendo gratificantes para ambos os parceiros. A coabitação prolongada pode representar um risco para o desejo, mas isso não significa que ele desaparecerá inevitavelmente. Para evitar isso, é importante manter espaço para a criatividade, a brincadeira e a redescoberta um do outro. A intimidade já estabelecida também oferece oportunidades para fortalecer o vínculo, desde que o casal não considere essa conexão como algo garantido. O verdadeiro desafio reside em manter viva a curiosidade pela outra pessoa e compreender que o desejo também requer atenção e desenvolvimento contínuo.

 

As novas gerações estão menos interessadas em sexo?

 

 

Em vez de afirmar que as novas gerações têm menos interesse em sexo, eu diria que a relação delas com a sexualidade é diferente das gerações anteriores. Hoje em dia, os jovens estão expostos a múltiplas formas de conexão e a uma enorme quantidade de estímulos digitais, o que pode substituir algumas interações presenciais. Isso significa que a forma como as pessoas abordam o desejo, o interesse pelo sexo e os relacionamentos íntimos está mudando. Não se trata necessariamente de haver menos interesse, mas sim de maneiras diferentes de encarar a sexualidade.

 

Qual o papel da pornografia nessa "crise do desejo"?

 

Fotos: Divulgação

 

Em primeiro lugar, idealiza o sexo e cria expectativas irreais sobre desempenho, aparência física e como os encontros sexuais devem se desenrolar. Quando as pessoas comparam essas imagens com a realidade, surge frequentemente a frustração. Em segundo lugar, favorece sistemas de recompensa imediata. A busca constante por estímulos visuais explícitos e gratificação rápida pode dessensibilizar algumas pessoas e dificultar a excitação em experiências reais compartilhadas com o parceiro. É importante entender que a pornografia existe em diferentes formas ao longo da história. O problema não é a sua existência, mas sim o seu consumo compulsivo, que hoje é muito mais fácil e discreto graças aos smartphones e à internet.

 

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O problema surge quando a pornografia se torna o principal modelo para a construção da identidade sexual. Nesses casos, ela pode afetar não apenas o desejo, mas também tem sido associada a algumas disfunções sexuais, como disfunção erétil ou ejaculação precoce. Em última análise, aprender sobre sexualidade exclusivamente por meio da pornografia é comparável a tentar aprender a voar depois de assistir a um filme do Superman. Educação sexual, pensamento crítico e acesso a informações confiáveis ??continuam sendo fundamentais para construir uma vida sexual saudável e um relacionamento satisfatório.


Fonte: com informações da Agência O Globo 

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