Tontura, desmaios e fadiga podem ser sinais de disautonomia, não apenas ansiedade. Entenda a importância do diagnóstico correto
Tontura, desmaios, palpitações, fadiga, sensação de fraqueza e mal-estar podem ser interpretados, em um primeiro momento, como sinais de ansiedade ou estresse. Para pessoas que vivem com disautonomia, porém, esses sintomas podem ter uma origem fisiológica e fazer parte de condições como a Síndrome da Taquicardia Postural Ortostática (POTS) e a síndrome vasovagal. O problema é que o desconhecimento ainda pode levar pacientes a uma longa peregrinação por consultórios em busca de respostas.
A disautonomia é um mau funcionamento do sistema nervoso autônomo (SNA), responsável por controlar funções automáticas do corpo como batimentos cardíacos, pressão arterial e digestão. A questão é um dos principais pontos levantados pela psicóloga Adriana de Araújo, idealizadora, organizadora e coautora do livro Para Compreender a Disautonomia, Síndrome Vasovagal e POTS – experiências profissionais, estudos, histórias e horizontes. A obra reúne mais de 50 profissionais e colaboradores e busca ampliar o conhecimento sobre condições que ainda são pouco compreendidas.
Um dos capítulos da publicação, inclusive, traz um título que resume a experiência de muitos pacientes: “Não, não é psicológico, não!”. A provocação não significa negar a importância da psicologia no tratamento, mas chamar atenção para um problema recorrente: atribuir automaticamente sintomas físicos a questões emocionais sem que outras possibilidades sejam devidamente investigadas. “A pessoa pode realmente estar sofrendo emocionalmente, mas isso não significa que os sintomas físicos sejam causados pela ansiedade. É preciso investigar, ouvir o paciente e olhar para ele de forma integral”, afirma Adriana.
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Quando o diagnóstico demora anos
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A jornada de quem convive com disautonomia pode ser marcada por consultas, exames e diferentes hipóteses antes que se chegue a uma explicação. No livro organizado por Adriana, aparecem relatos que ajudam a dimensionar esse percurso. Um dos casos apresentados é o de uma jovem que passou por 80 médicos durante oito anos antes de encontrar respostas para seu quadro.
Para a psicóloga, experiências como essa podem produzir consequências emocionais importantes. Depois de ouvir repetidamente que “não há nada de errado” ou que determinados sintomas seriam apenas emocionais, o paciente pode começar a questionar a própria percepção, além de desenvolver frustração, insegurança e sensação de incompreensão. “Imagine sentir que alguma coisa está errada com seu corpo e, durante anos, ouvir que é apenas psicológico. Isso pode afetar profundamente a autoestima, os relacionamentos e a própria confiança que a pessoa tem em relação às suas sensações”, explica.
Psicologia não é inimiga do diagnóstico
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A discussão proposta por Adriana também busca evitar outro equívoco: colocar saúde física e saúde mental em lados opostos. A psicoterapia pode ter papel importante para pessoas que convivem com condições crônicas ou de difícil diagnóstico. O profissional pode ajudar o paciente a lidar com mudanças na rotina, limitações, medo, frustração e impactos na vida social e profissional. O ponto, segundo a psicóloga, é que o acompanhamento psicológico deve fazer parte do cuidado, e não ser utilizado para invalidar sintomas físicos. “Não se trata de dizer que não existe um componente emocional. Existe, e ele precisa ser cuidado. Mas precisamos diferenciar aquilo que é consequência emocional de uma condição física daquilo que é a causa dos sintomas”, ressalta.
Uma condição pouco conhecida fora dos consultórios especializados

Fotos: ReproduçãoGoogle
A disautonomia envolve alterações no funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por regular funções involuntárias do organismo. Dependendo da condição, podem surgir manifestações cardiovasculares, neurológicas e gastrointestinais, entre outras. No caso da POTS, por exemplo, uma das características é uma alteração importante da frequência cardíaca quando a pessoa passa da posição deitada ou sentada para ficar em pé. O desconhecimento sobre essas condições pode fazer com que pacientes, familiares e até profissionais tenham dificuldade para reconhecer os sinais.
Informação também é uma forma de acolhimento
Para Adriana, ampliar o debate sobre disautonomia também significa discutir a relação entre informação, diagnóstico e saúde mental. Quanto mais o paciente compreende o que está acontecendo, maiores podem ser suas condições de participar ativamente do próprio tratamento e de explicar aos familiares e às pessoas ao redor as limitações que enfrenta. A psicóloga defende ainda que a discussão não fique restrita aos meses de campanhas de conscientização. “Precisamos falar sobre essas condições durante todo o ano. Quando uma pessoa encontra informação, ela deixa de se sentir tão sozinha e passa a ter mais elementos para buscar ajuda adequada”, afirma.
Fonte: com informações Mariana Kotscho
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