CEO e fundadora da Fast4you, a executiva trocou uma carreira na área de logística por um negócio que mira 100 milhões de faturamento em 2025
A pandemia e o confinamento tinham acabado de se instaurar no Brasil quando Daiane Vanoni desceu o elevador do condomínio em que vive em Florianópolis com um pensamento insistente: “Imagine que legal se pudéssemos descer e fazer o supermercado aqui embaixo”. Naquele momento, ela não sabia, mas estava plantando a semente da Fast4you, rede pioneira de minimercados autônomos no país com mais de 650 franquias e faturamento anual estimado em 100 milhões.
Antes de se tornar CEO, Daiane já carregava mais de 20 anos de experiência como analista comercial e de logística, atuando em multinacionais como Walmart e Vonpar. Mas o caminho não foi simples. Os anos que passou na Natura, última empresa na qual trabalhou por nove anos como coordenadora do setor de logística e mais tarde de atendimento ao cliente, foram repletos de viagens, reuniões, aeroportos e o sentimento crescente de culpa materna. “Eu viajava muito e chegava em casa cansada do trabalho. E me cobrava como mulher para dar atenção e passar mais tempo com o meu filho”, relembra.
Após conversar com seu marido, Cristiano Vanoni, Daiane decidiu sair do emprego e ir em busca por mais liberdade emocional, de tempo e de rotina. Em meio às incertezas da pandemia, começaram a observar os atrasos e dificuldades das entregas de supermercado. Foi aí que a ideia surgiu: e se existisse um mercado dentro do condomínio, sempre disponível, sem filas e sem depender de horário?
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O nascimento da Fast4you

Foto: Reprodução/Google
Daiane e o marido resolveram então desenhar um modelo de negócio baseado em experiências de autoatendimento no exterior. Fecharam negócio com um condomínio de 112 apartamentos e instalaram a primeira loja com a promessa de que se não desse certo, sairiam em três meses. Seis meses depois, o negócio já contava com 14 unidades em operação. O modelo era inédito e ela teve que aprender tudo: legislação condominial, contabilidade, compras, escalabilidade e atendimento digital. E, com a expansão, como o negócio não poderia operar em outros estados de forma centralizada, Daiane decidiu abrir franquias. A proposta era fornecer uma entrada de baixo investimento, retorno rápido e risco reduzido, baseada exatamente no que ela mesma buscou quando decidiu empreender. “Queria que outras pessoas, principalmente mulheres, tivessem a mesma oportunidade que eu tive. Algo que desse autonomia de horário e independência financeira”, diz.
Assim, a Fast4you se tornou a primeira microfranquia de mercados autônomos registrada na ABF (Associação Brasileira de Franchising). Hoje, são mais de 650 unidades com a abertura de uma franquia a cada 36 horas e com planos de expansão para fora do país.O crescimento do negócio Com uma venda a cada seis segundos, a Fast4you planeja começar oficialmente sua internacionalização em 2026, com unidades na Flórida (EUA) e em Madri (Espanha). “Apesar do autoatendimento ser comum lá fora, o conceito de mercado dentro de condomínios ainda é novo”, afirma.
A cultura do autoatendimento no exterior ajuda, mas também existem desafios. Na Europa, por exemplo, muitos prédios são históricos e têm limitações estruturais. “Começamos por bairros novos e também por empresas. Nos Estados Unidos, eles têm condomínios enormes, mas mercados geralmente afastados, então para eles, o mercado dentro do prédio é uma novidade”, explica. No Brasil, a rede cresceu 383,8% em 2024 e, embora os condomínios sigam como carro-chefe, cerca de 30% das operações já estão em empresas, universidades, hospitais, academias e lojas de rua. Antes da abertura de novas lojas, a empresa faz uma pesquisa de perfil do consumidor no local, se é composto por famílias com crianças, jovens universitários ou idosos, por exemplo, e adapta o mix de produtos conforme os hábitos e as necessidades, tornando o modelo mais flexível.
Fonte: com informações IstoÉ
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