Com 75 mil seguidores, série documental no Instagram investiga aspectos sociais e culturais da produção de alimentos da região
O chef e gastrônomo carioca Thiago Loeser conquistou mais de 75 mil seguidores no Instagram ao transformar comida da região amazônica em conteúdo sobre história e cultura. No perfil ‘Odisseia Gourmet’, ele já falou sobre x-caboquinho, tambaqui, pirarucu, açaí, guaraná, cupuaçu, bodó e piracuí, além de abordar questões sociais e ambientais relacionadas à produção dos alimentos.
Apesar de ainda não conhecer o Amazonas pessoalmente, Thiago pesquisa a gastronomia da região por meio de livros, artigos, trabalhos acadêmicos e conhecimentos tradicionais. O interesse faz parte da série “Brasil”, criada para apresentar as diferentes culturas alimentares do país.
“O Norte acaba sendo um desafio maior porque é uma região que ainda é muito subvalorizada e menos pesquisada e documentada do que outras. Então, eu acabo dedicando um tempo maior para pesquisar os assuntos amazônicos, até mesmo fora da série ‘Brasil’.”
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Alimentos dos Sateré-Mawé
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Foto: Divulgação
Entre os conteúdos produzidos por Thiago está uma pesquisa sobre a alimentação dos Sateré-Mawé. O contato com esses conhecimentos fez o gastrônomo refletir sobre a influência indígena na formação da gastronomia brasileira.“Quando a gente procura pelas raízes da cultura brasileira, o pilar está nos povos indígenas. E uma coisa que me surpreende positivamente é perceber que esse conhecimento ancestral ainda está muito mais preservado no cotidiano do Norte do que em outras regiões do Brasil.” Segundo ele, a gastronomia profissional ainda valoriza muito referências estrangeiras, enquanto os conhecimentos indígenas permanecem pouco difundidos.
Histórias por trás dos pratos
Um dos pratos que chamou a atenção de Thiago foi o pirarucu de casaca. Embora seja associado à culinária amazônica, a preparação reúne diferentes influências culturais. O pirarucu tem forte relação com os povos indígenas e pode ser consumido de maneiras tradicionais, como o moqueado. Já a forma como o peixe é preparado no pirarucu de casaca apresenta semelhanças com o bacalhau à Gomes de Sá, receita portuguesa. Para Thiago, o exemplo mostra como a história de um prato pode ser muito mais complexa do que a ideia de “comida típica” sugere.
Fonte: com informações Acrítica
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