Segundo o Datafolha (Julho/2026), no 2º turno entre as mulheres: Lula tem 50% vs. Flávio Bolsonaro tem 40%. Além disso, 50% das eleitoras rejeitam o candidato do PL de forma absoluta
Por Maria Santana Souza - Houve um tempo em que os estrategistas políticos olhavam para o mapa do Brasil e apontavam o Nordeste como a fortaleza geográfica intransponível do Partido dos Trabalhadores (PT) e de Luiz Inácio Lula da Silva.
Nas eleições de 2026, contudo, a verdadeira muralha que protege o atual governo e impõe limites severos às ambições da oposição não é territorial, mas de género. As mulheres brasileiras transformaram-se no "novo Nordeste" de Lula, atuando como o fator decisivo que trava o crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial.
Os dados das sondagens de intenção de voto mais recentes deixam o cenário evidente: enquanto o eleitorado masculino flerta abertamente com o discurso conservador e as propostas económicas liberais da oposição, as mulheres mantêm uma rejeição histórica e robusta a qualquer nome associado ao clã Bolsonaro. Essa resistência não é meramente ideológica; é pragmática.
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Para entender por que as mulheres se tornaram este bastião de resistência, é preciso olhar para a realidade económica do país. O eleitorado feminino, em especial as chefes de família que lideram milhões de lares na Amazónia e no restante do Brasil, responde de forma muito mais direta às oscilações do preço dos alimentos, às políticas de transferência de renda (como o Bolsa Família) e ao acesso a serviços públicos de saúde e educação.
O governo Lula historicamente estruturou a sua base de apoio nestas redes de proteção social. Para a mulher que gere o orçamento doméstico sob o impacto da inflação, o discurso armamentista ou as disputas ideológicas promovidas pela ala mais radical da direita não resolvem o prato de comida na mesa. A memória social da gestão da pandemia e a retórica agressiva do passado ainda pesam fortemente contra o bolsonarismo no público feminino.
O Desespero Estratégico do PL e a Busca por uma Vice
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O Palácio do Planalto sabe que o voto feminino é o seu maior seguro político. Do outro lado da corda, o comitê de campanha de Flávio Bolsonaro também já compreendeu que, sem mitigar a rejeição entre as mulheres, a sua candidatura estará condenada a um teto eleitoral insustentável para vencer uma eleição majoritária.
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É exatamente por isso que assistimos a uma corrida frenética nos bastidores do PL para encontrar uma mulher que ocupe a vaga de vice-presidente na chapa. Nomes que vão desde o perfil técnico de Daniella Marques até ao apelo religioso de Priscila Costa são lançados diariamente na comunicação social. Trata-se de uma tentativa cirúrgica de suavizar a imagem de Flávio Bolsonaro e criar uma ponte de empatia com o eleitorado feminino.
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No entanto, a estratégia enfrenta barreiras internas e ruídos com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, provando que a construção dessa identidade feminina na direita ainda é vista como um joguete tático, e não como um espaço de representatividade real.
O Posicionamento do Portal Mulher Amazônica

Nós, do Portal Mulher Amazônica, observamos este cenário com a clareza de quem acompanha a luta diária das mulheres da nossa região. A Amazónia possui particularidades onde o isolamento geográfico e as desigualdades sociais penalizam severamente a população feminina. Quando as pesquisas apontam que as mulheres barram Flávio Bolsonaro, elas estão a emitir um recado claro: a liderança do país exige sensibilidade, estabilidade institucional e compromisso real com os direitos sociais.
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O eleitorado feminino cansou de ser tratado como um mero detalhe estatístico ou uma "cota" a ser preenchida em véspera de eleição. Lula mantém a sua vantagem neste segmento porque, até ao momento, consegue dialogar com as necessidades básicas de sobrevivência e dignidade dessas eleitoras.

Se Flávio Bolsonaro e o PL acreditam que basta colocar um rosto feminino na fotografia da chapa para reverter esta tendência, subestimam a inteligência e a força política da maior fatia do eleitorado brasileiro. As mulheres descobriram o poder do seu voto e, em 2026, são elas que vão ditar os rumos do Palácio do Planalto.
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Maria Santana Souza,
Diretora Executiva e Analista Política do Portal Mulher Amazônica
Fontes:
Folha de São Paulo - Datafolha (Julho/2026)
Carta Capital - Real Time Big Data: o desempenho de Lula e Flávio Bolsonaro entre as mulheres.
Poder360 - A pesquisa Datafolha divulgada em 24 de julho mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém vantagem sobre o senador.
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