Emendas para o orçamento 2026, com ameaça de super El Niño, ignoram alerta climático na região amazônica.
A Amazônia entra em mais um período de alerta para secas, calor, queimadas e redução do nível dos rios enquanto meio ambiente e clima recebem uma parcela mínima das prioridades definidas por deputados e senadores nas emendas individuais ao orçamento da União de 2026. Dos R$ 26,56 bilhões reservados às emendas individuais, apenas R$ 154,03 milhões foram destinados a ações relacionadas às políticas ambiental e climática.
O valor representa somente 0,58% do total.O contraste ganha dimensão maior em uma região que, nos últimos anos, sofreu com secas históricas, queimadas, isolamento de comunidades e dificuldades de abastecimento e transporte. No Amazonas, as consequências chegaram também à economia e à logística da Zona Franca de Manaus (ZFM). Agora, um novo componente aumenta a preocupação: o El Niño 2026/2027, que pode alcançar forte intensidade e favorecer redução das chuvas na Amazônia.
Veja também

Incêndios em residências aumentam 39% no primeiro semestre em Manaus
Emendas revelam escolhas políticas
.jpg)
O levantamento sobre as emendas ganha ainda outra dimensão em 2026: o país está em ano eleitoral. As emendas parlamentares se consolidaram como uma das principais ferramentas utilizadas por deputados e senadores para direcionar recursos federais aos estados e municípios.
Sua distribuição revela, portanto, escolhas políticas.

Diante de R$ 26,56 bilhões disponíveis para emendas individuais, a destinação de apenas R$ 154,03 milhões às ações ambientais e climáticas analisadas coloca em discussão o espaço que o enfrentamento dos eventos extremos ocupa entre as prioridades parlamentares. Na Amazônia, essa discussão deixou há muito tempo de ser apenas ambiental. As secas, enchentes, queimadas e temperaturas extremas interferem na vida de milhões de pessoas e alcançam diretamente a economia regional.
O 0,58% destinado a meio ambiente e clima, portanto, pode ser confrontado com uma realidade em que os efeitos das mudanças climáticas já chegaram às casas dos ribeirinhos, aos rios e às linhas de produção da Zona Franca de Manaus. Em ano de eleição, os números permitem ao eleitor avaliar não apenas o discurso ambiental de seus representantes, mas também quanto das prioridades definidas por eles no orçamento efetivamente chega ao enfrentamento de uma crise que já afeta a Amazônia.
Números da prioridade ambiental

Fotos: Reprodução/Google
O levantamento do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) analisou o financiamento das políticas ambiental e climática por meio das emendas parlamentares. Os números dimensionam a diferença entre o dinheiro controlado individualmente pelos parlamentares e aquilo que chega às ações relacionadas ao clima e ao meio ambiente:
R$ 26,56 bilhões — total reservado às emendas individuais em 2026;
R$ 154,03 milhões — destinados às ações ambientais e climáticas analisadas;
0,58% — participação de meio ambiente e clima no total das emendas;
97 ações — conjunto considerado central para a política ambiental e climática;
17 ações — receberam recursos das emendas individuais;
R$ 6,15 bilhões — orçamento previsto originalmente para os programas analisados;
2,5% — quanto as emendas acrescentaram ao orçamento dessas políticas.
O próprio volume total das emendas individuais é superior a quatro vezes o orçamento federal previsto para o conjunto de programas ambientais e climáticos analisados.
O Inesc considera que existe um descompasso entre a urgência provocada pelos eventos climáticos extremos e a forma como os recursos das emendas são distribuídos pelo Congresso.
Fonte: com informações BNC
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.