Enquanto o Brasil apresentou uma sutil redução média de 2,5% nas mortes de mulheres por razões de gênero, o nosso estado caminha na contramão nacional.
Por Maria Santana Souza - Os dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Justiça revelam uma realidade dolorosa e urgente: o Amazonas registrou uma alta alarmante de 66,7% nos casos de feminicídio no primeiro semestre deste ano. Enquanto o Brasil apresentou uma sutil redução média de 2,5% nas mortes de mulheres por razões de gênero, o nosso estado caminha na contramão nacional.
O Amazonas ocupa agora a terceira posição entre os estados com maior crescimento percentual desse crime bárbaro, ficando atrás apenas de Goiás e Sergipe. Essa violência não é um tema distante e nem um problema que acontece apenas nas manchetes de jornais. Ela atravessa as estruturas dos nossos bairros, destrói famílias, adentra escolas, afeta locais de trabalho e envenena as relações mais cotidianas.
Diante de um cenário tão grave, precisamos compreender que as eleições são o momento decisivo para escolher quais prioridades terão orçamento, espaço e seriedade nas políticas públicas do nosso estado. Abaixo, detalhamos como o avanço desses números exige uma resposta firme e como o seu voto tem papel fundamental no enfrentamento da violência de gênero:
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Os indicadores estatísticos apontam que a violência doméstica não escolhe classe social, mas atinge severamente as mulheres da nossa região, desde a capital até as comunidades ribeirinhas. O avanço de 66,7% nos assassinatos de mulheres mostra que as estruturas de proteção precisam ser urgentemente ampliadas e reformuladas. Não podemos normalizar a perda de mães, filhas, trabalhadoras da roça, da fábrica ou dos escritórios urbanos por crimes que poderiam ser prevenidos.
As quatro frentes urgentes de atuação pública

Para que o cenário mude no segundo semestre e nos anos seguintes, o voto consciente deve cobrar dos candidatos compromissos reais em quatro pilares fundamentais:
1. Prevenção: Criação de campanhas educativas contínuas e canais acessíveis de denúncia em todos os municípios do interior, e não apenas na capital.
2. Acolhimento: Ampliação de delegacias especializadas, centros de atendimento psicológico e abrigos sigilosos para acolher mulheres e seus filhos em momentos de crise severa.
3. Proteção: Fiscalização rigorosa do cumprimento de medidas protetivas e investimentos em tecnologia de monitoramento de agressores.
4. Enfrentamento: Fortalecimento da rede de segurança pública e celeridade nos julgamentos para combater a sensação de impunidade.
O poder do seu voto

O voto na urna é uma das armas mais poderosas que a sociedade civil possui para frear essa tragédia. Escolher representantes comprometidos com a pauta de gênero significa garantir verbas para a segurança pública direcionada e apoiar leis que endureçam o combate aos agressores. Votar com consciência social é escolher salvar a vida de milhares de mulheres que hoje vivem em silêncio e sob o fantasma do medo.
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Fotos: Reprodução/Google
"Como diretora do Portal Mulher Amazônica, afirmo que os 66,7% de aumento não são apenas estatísticas frias de um relatório ministerial; são vidas interrompidas, lares destruídos e um ataque direto à dignidade de 53% das mantenedoras dos lares do nosso estado. Não aceitaremos o silêncio das autoridades. Cobrar políticas públicas efetivas é o papel do nosso jornalismo e deve ser a missão de cada eleitor na hora de depositar seu voto. Nós temos o poder de exigir um Amazonas onde as mulheres possam caminhar, trabalhar e viver sem medo." Maria Santana Souza.
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Fonte:
CNN - Análise: Violência contra a mulher sobe e deve pautar a eleição.
ONU Mulheres/Brasil - Diretrizes para investigar, processar e julgar com perspectiva de gênero as mortes violentas de mulheres.
Revista Caderno Pedagógico - O feminicídio e as políticas conservadoras de proteção à mulher em Manaus: um estudo a partir dos relatos em mídias sociais.
Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP/AM) e ao Departamento de Pesquisa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
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