A renda média da mulher no Amazonas é de 1.550 reais, já a do homem é de 2.150 reais, mesmo com a ocupação feminina chegando a 43% e com 49,1% dos lares sendo chefiados por mulheres.
Maria Santana Souza - Dando prosseguimento ao que me propus escrever e contribuir para um diagnóstico da situação das mulheres no Amazonas, volto a enfatizar a necessidade de o futuro governo do estado ter um olhar diferenciado para o público feminino, dada a especificidade das suas condições de existência.
No Amazonas, as mulheres têm participação significativa no mercado de trabalho, no entanto, continuam recebendo menores salários do que os homens, mesmo desempenhando a mesma atividade e apresentando os mesmos resultados, às vezes, até melhores. Estão, em boa parte, na informalidade e nos trabalhos domésticos, na educação e na saúde, segundo dados do PNAD/estudos regionais.
Esse quadro não é um problema apenas no estado do Amazonas, ele se repete em todo Brasil, infelizmente. E quando os números mostram a situação da mulher negra no trabalho, o resultado é mais grave. A renda média da mulher no Amazonas é de 1.550 reais, já a do homem é de 2.150 reais, mesmo com a ocupação feminina chegando a 43% e com 49,1% dos lares sendo chefiados por mulheres.
Veja também

A SITUAÇÃO DAS MULHERES NO AMAZONAS: Uma contribuição para o futuro governo do estado (parte III)
Mais mulheres solteiras e sem filhos até 2030: escolha individual ou reflexo de um mundo em transformação

No que se refere à mortalidade materna, o estado tem média superior à nacional, segundo o DATASUS. É preciso criar e/ou aperfeiçoar políticas públicas de atendimento materno, com foco na redução da mortalidade. Mães adolescentes têm sido as principais vítimas. No que se refere à violência contra a mulher, aí vamos entrar num campo extremamente sensível, incômodo e alarmante.

O Observatório da Violência Contra a Mulher da Aleam revela que 31,6% das mulheres do estado já sofreram algum tipo de violência. São dados recentes. Ano passado, o Ligue 180 registrou 16.452 casos de violência contra a mulher, um aumento de 17% sobre o ano anterior. A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas informou que de janeiro a junho de 2025, houve 6 casos de feminicídio no estado. A maioria dos casos tem como agressor o próprio companheiro ou ex-companheiro.
.jpg)
É bom lembrar que o Atlas da Violência diverge dos números apresentados pela SSP-AM e sugere muitos mais casos de feminicídio. O certo é que a violência contra a mulher é grande e temos visto isso na área metropolitana de Manaus, com casos estarrecedores.

.jpeg)
Seguiremos nessa missão, como mulher, mostrando a importância de uma política específica para atender mães, adolescentes, trabalhadoras, domésticas, artistas e todas mulheres que precisam do apoio institucional para igualar e garantir seus direitos. O novo governador do Amazonas precisa ter esse compromisso.

Fotos: Reprodução/Google
Maria Santana Souza é empresária, jornalista e uma das maiores referências em ativismo feminino no Amazonas. Formada em Direito, começou sua carreira no jornalimo como editora do Portal do Zacarias. É uma das autoras da obra” Mulheres Interseccionalidades, Vivencias Amazônicas”, Idealizadora e Diretora executiva do Site” Mulher Amazônica e do Pod Cast “ Ela Pod. Maria Santana Souza tem popularizado as temáticas que envolvem as causas Femininas, desafios e conquistas. É autora de uma coletânea de artigos. Seu olhar afiado e seu discurso direto fizeram dela uma voz ativa no cenário das temáticas que envolvem as causas das Mulheres no Amazonas.
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.