09 de Outubro de 2026

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Mulher na Política - 03/10/2026

A maioria nas Urnas e o abismo no Poder: o voto Feminino como sscudo e destino do Brasil em 2026

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Foto: Reprodução/Google

Somos 83,8 milhões de mulheres com o poder de decidir o rumo do país. No entanto, o contraste com a realidade política ainda expõe um abismo inaceitável: menos de 20% dos cargos eleitos no Brasil são ocupados por nós

Por Maria Santana Souza - No próximo domingo, dia 4 de outubro, o Brasil viverá um momento decisivo para a sua história democrática com a realização das Eleições 2026. Cidadãs e cidadãos de todo o país irão às urnas para escolher os novos representantes para os cargos de presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital. Segundo dados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um contingente histórico de 158.745.463 eleitores e eleitoras está apto a exercer a cidadania e definir os rumos da nação.

 

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que, quase um século após a conquista do voto feminino no Brasil, as mulheres são a maioria do eleitorado nas eleições de 2026. Com um crescimento de 1,83% em comparação a 2022, o país contabiliza hoje 83,8 milhões de eleitoras, o equivalente a 52,8% do total de votantes aptos. Os números ilustram uma força demográfica e política com potencial para definir os rumos da sucessão presidencial e estadual neste domingo.

 

A grande novidade histórica é que, após 94 anos da conquista do voto feminino no Brasil, o número de mulheres aptas a votar nas eleições se consolidou como a maioria absoluta do país. O eleitorado feminino cresceu 1,83% em relação ao pleito de 2022, saltando para um contingente de 83,8 milhões de mulheres votantes — o que representa 52,8% de todo o eleitorado nacional. Essa movimentação humana expressiva é perfeitamente capaz de decidir o rumo de qualquer eleição brasileira, colocando o poder de escolha majoritariamente nas mãos das mulheres. No entanto, o contraste com a representatividade real nos espaços de poder ainda expõe um abismo que precisamos combater nas urnas: nas últimas eleições, menos de 20% dos políticos eleitos em todo o país foram mulheres.

 

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Antes de listar as principais reivindicações que o eleitorado feminino levará às urnas, é indispensável encarar de frente os maiores desafios estruturais enfrentados pelas mulheres no Brasil. Em primeiro lugar, o avanço alarmante da violência de gênero impõe uma realidade devastadora: o alto índice de feminicídios no país. Definido legalmente como o assassinato de uma mulher cometido em razão da sua condição de sexo feminino — envolvendo violência doméstica, familiar, menosprezo ou discriminação de gênero —, o crime é classificado como hediondo, com pena de reclusão severa de 20 a 40 anos, conforme a Lei nº 13.104/2015, recentemente endurecida pela Lei nº 14.994/2024.

 

O tamanho dessa tragédia é amparado por dados assustadores. O levantamento oficial do Ministério da Justiça e Segurança Pública aponta que, no primeiro trimestre de 2026, o Brasil registrou a média bárbara de uma mulher vítima de feminicídio a cada 5 horas e 25 minutos, dando continuidade ao rastro de sangue de 2025, que encerrou o período com 1.470 vidas ceifadas. Somado ao medo da violência, o segundo grande desafio reside na vulnerabilidade econômica e na sobrecarga social. Pesquisas recentes da Fundação Getulio Vargas (FGV) e do IBGE comprovam que a maioria dos lares brasileiros hoje é chefiada por mulheres, com mais de 41 milhões de domicílios tendo as mulheres como as principais ou únicas provedoras do sustento familiar.

 

 

 

É fato que as mulheres ainda são consideradas as principais “guardiãs” dos lares brasileiros, acumulando de forma exaustiva as funções do mercado de trabalho com as demandas domésticas. Contudo, a expansão das redes sociais operou uma transformação importante, facilitando o acesso ao debate político e possibilitando a transição do espaço privado para o espaço público. Hoje, muitas vezes sem precisar se afastar fisicamente do ambiente doméstico — onde ainda recai a sobrecarga das tarefas diárias e da socialização dos filhos —, a mulher consegue se informar e participar ativamente das discussões sobre os rumos do país. No entanto, ocupar e transformar de fato o mundo político exige muito mais do que a interação digital; exige quebrar as barreiras estruturais que bloqueiam a presença feminina nos centros reais de poder.

 

 

 

A Constituição Federal também determina que os partidos políticos devem destinar, no mínimo, 30% dos recursos de campanha e do tempo de propaganda no rádio e na TV para as candidaturas femininas. Além de estabelecer esse piso de financiamento, a norma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prevê que a distribuição das verbas e do tempo de tela deve respeitar a proporção real de candidatas. Na prática, isso significa que se uma legenda lançar 50% de mulheres na disputa, metade do dinheiro de campanha e do tempo de rádio e TV devem ser obrigatoriamente destinados a elas.

 

 

 

Apesar de a legislação ser clara e da fiscalização dos órgãos de controle estar cada vez mais acirrada, a realidade política brasileira ainda expõe feridas profundas. As mulheres que decidem se candidatar frequentemente enfrentam preconceito estrutural, violência política de gênero e fraudes financeiras na distribuição do fundo partidário. Ainda nos deparamos com escândalos de "candidaturas laranjas", em que registros de mulheres são utilizados de forma artificial e sem apoio financeiro real apenas para cumprir o percentual mínimo de cota exigido por lei, esvaziando o verdadeiro sentido da representatividade feminina nos espaços de poder.

 

  

 
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Fotos: Reprodução/Google

 

Como primeiro veículo de comunicação digital de gênero do país, o Portal Mulher Amazônica reafirma que a nossa força numérica precisa se transformar em força política. Não podemos mais aceitar sermos a maioria nas cabines de votação e a minoria esmagada nos plenários onde as leis são votadas e os recursos são divididos. No próximo domingo, o voto feminino deve funcionar como um escudo de proteção e um instrumento de transformação. É tempo de darmos um basta ao preconceito, de acolhermos as nossas mães provedoras e de elegermos mulheres comprometidas com a integridade, com a educação pública e com a vida de cada cidadã deste país. O destino da nação está em nossas mãos.

 

Maria Santana Souza,
Analista Política e Diretora Executiva do Portal Mulher Amazônica.

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