As Faces da Igualdade na Amazônia
Por Maria Santana Souza - O dia 26 de agosto marca o Dia Internacional da Igualdade Feminina, uma data que remonta à conquista do voto pelas mulheres nos Estados Unidos em 1920 e que, globalmente, serve como um espelho para medirmos os avanços e os abismos que ainda nos separam da paridade real de direitos.
No entanto, quando cruzamos essa efeméride com a realidade do Norte do Brasil, percebemos que falar de igualdade exige, antes de tudo, falar de território, raça e contexto social. Para o Portal Mulher Amazônica, esta data não é apenas um momento de celebração, mas um chamado urgente à reflexão sobre as especificidades da vida das mulheres na nossa região.
Na Amazônia, a busca pela igualdade de gênero não se limita às discussões corporativas de grandes centros urbanos, embora estas também sejam válidas. Aqui, a igualdade se traduz no direito de dar à luz com segurança, sem a necessidade de enfrentar dias de viagem de barco em direção à capital. Significa o acesso à terra para as mulheres extrativistas, ribeirinhas e indígenas que são a verdadeira força motriz da bioeconomia e da preservação florestal, mas que frequentemente permanecem invisibilizadas nas estatísticas econômicas e nos espaços de tomada de decisão política.
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O isolamento geográfico e a ausência histórica de estruturas de proteção do Estado criam uma camada adicional de vulnerabilidade. Como falar em igualdade plena se as redes de apoio e o combate à violência de gênero ainda enfrentam barreiras logísticas imensas para chegar às calhas dos nossos rios? O verdadeiro desenvolvimento sustentável da nossa região só se consolidará quando a segurança jurídica, física e financeira das mulheres amazônidas for colocada no centro das políticas públicas.

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Celebrar o 26 de agosto sob o olhar do Portal Mulher Amazônica é reafirmar o compromisso de amplificar as vozes das lideranças comunitárias, das profissionais que desbravam o mercado de trabalho local e das mães que chefiam lares inteiros na floresta e nas periferias urbanas. A igualdade que buscamos não é padronizada; ela respeita a nossa ancestralidade, valoriza a nossa força e exige, acima de tudo, dignidade e justiça social para cada mulher que faz do Norte o seu lar.
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Fotos: Reprodução/Google/Montagem Portal Mulher Amazonica
Maria Santana Souza,
Diretora Executiva e Analista Política do Portal Mulher Amazônica.
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